Resenha de Livros

Olhos de Jardineiro, de Gediel Pinheiro de Sousa.

Pura poesia num lirismo de rítmo e musicalidade.

Anseios, desejos, sonhos, encontros e desencontros humanos.

Olhos de Jardineiro, Gediel Pinheiro de Sousa.

Olhos de Jardineiro é a mais recente obra do poeta brasileiro Gediel Pinheiro de Sousa, lançado agora pela Editora Metamorfose.

O livro traz cem páginas de pura poesia num lirismo onde o bom e o belo nos levam à comoção com seu rítmo e musicalidade.

São versos livres que transitam do Romantismo ao Realismo bebendo pequenos goles da Poesia simbolista (Simbolismo) até desaguar nos jardins do Modernismo e do Pós-Modernismo pelos canteiros por onde percorrem os “Olhos de Jardineiro” do poeta.

O amadurecer e a profundidade sempre crescente do autor.

Para quem conhece outros trabalhos de Gediel Pinheiro de Sousa anteriores a este livro, percebe o amadurecer e a profundidade sempre crescente do autor.

Olhos de Jardineiro é um livro que você não pode deixar de ler por tratar-se de uma obra que além de sua qualidade estética e estilística, fala acima de tudo de anseios, de desejos, de sonhos, encontros e desencontros humanos, conforme vai desfilando o “eu líricopersonificado ali pelo autor.

Eu gostaria de ler todo o livro aqui, mas na impossibilidade por razões correntes, trago algumas citações e claro sem entregar o ouro assim de bandeja e tirar-lhe o mesmo prazer que eu tive em ler Olhos de Jardineiro.

O poeta nos dá a medida da existência humana e dos laços que nos tornam num só ente composto por tudo e por todos quando diz : “Metades compostas não são mais metades“.

O livro é de uma beleza poética e ao mesmo tempo de uma profundidade filosófica sem par ao dizer que nossa passagem na vida não pode passar em branco e o quanto podemos nos maravilhar com a graça e a dádiva da vida ao alertar que “É hora de deixar pegadas na areia/enamorar-se com a lua cheia“.

Orgulha-me ter esse prazer/compartilhar meus genes/participar da criação perene/ fazer parte da composição“. Aqui o poeta demonstra toda a sua amplitude humana e convida o leitor a refletir quanto ao seu papel na vida, no universo e no planeta enquanto ser ativo e participante de tudo que aí está, e que não somos mera platéia passiva.

Parem de comer a terra/solo acima e toda a víscera/Quero a floresta pintada/fauna com pinta de onça“. Aqui fala o poeta-homem ativista-ambientalista que sofre ao perceber o sofrimento da terra e consequentemente de tudo o que nela há. Os Olhos de Jardineiro observam e gritam que nada é impune, que o que se faz à terra faz-se antes a nós mesmos.

E para quem no senso comum diz que o poeta vive fora do ar ou no mundo da lua, preste atenção no grito cortante do coração do poeta engajado com a sociedade em que vive, ao proclamar: “Mata de fome quem tem sede/seca de sede quem tem fome/mata a dignidade do homem“. E ele não fala só de água e comida, mas denuncia com veemência a flagrante ausência da dignidade humana.

E por fim, sem mais spoiler, o nosso Olhos de Jardineiro, como olhos da alma, com muita profundidade, audácia e coragem questiona a si mesmo da coragem necessária para se olhar no espelho sem corar de vergonha e sem medo: “Se um dia eu tiver coragem/me olho no espelho/sem a pele rubra/sem medo do espanto“. Será que teremos orgulho ou vergonha do nosso reflexo?

Bem, a mulher meiga e lutadora, a criança e sua inocência, o sufocar do planeta, o trabalho mal pago, o desrespeito à vida contrapostos à beleza das pessoas e da existência, a salvação do amor e pelo amor e o poder da fé são algumas das inquietudes do autor em Olhos de Jardineiro.

Olhos de Jardineiro, de Gediel Pinheiro de Sousa, pela Editora Metamorfose.

Sobre o autor

Gediel Pinheiro de Sousa, nasceu no sítio Pilar, município de Catolé do Rocha/PB. Estudou no lendário colégio Francisca Mendes (um colégio de freiras) em Catolé do Rocha/PB. Graduado em Engenharia Civil em 1986 pela UFPB CAMPUS II- Campina Grande/PB. Trabalhou como Engenheiro durante cinco anos, nos estados de Sergipe, Pernambuco e Bahia. Em JAN/93, por meio de concurso público, ingressou na Receita Federal, órgão em que trabalha atualmente no cargo de Analista Tributário. Teve os

primeiros contatos com a Poesia ainda criança, quando, aos domingos, seu avô materno o presenteava com Literatura de Cordel. Em 2013, aos cinquenta anos, escreveu seu primeiro poema intitulado: Poema e hino a ti destino, sem ao menos

saber se se tratava de Poesia, pois acreditava ser apenas uma homenagem para sua mãe. Em setembro de 2020 participou do concurso “Histórias da Receita Federal”, e seu texto “O salto da Receita no rastro da Pandemia“, na categoria de Poesia, ganhou o 1° lugar e foi publicado no livro: HISTÓRIAS DA RECEITA FEDERAL daquele ano. Em 2022 inicia o curso de escrita criativa da Editora Metamorfose e conclui no final de 2023. Foi um período de aprendizado e muita produção onde foram escritos e reescritos mais de quarenta poemas, cujo desfecho resultou no projeto de publicação do livro: Olhos de Jardineiro. Encontre aqui

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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