Resenha de Livros

Deixe o quarto como está, de Amilcar Bettega

Uma ficção fantástica tão próxima da realidade.

Sofrendo numa imobilidade profunda, presos em uma espera constante.

Visão profunda e envolvente da condição humana.

O livro de contos “Deixe o quarto como está” de Amilcar Bettega se passa em um território infectado por um vírus desconhecido. Os médicos e suas equipes são a esperança das pessoas doentes, que vêem neles a chance de encontrar a cura. Os profissionais deixam a cidade diariamente e arriscam suas vidas ao atravessar o rio para chegar ao local insalubre onde o vírus se espalhou.

No entanto, essas imagens não são retiradas da realidade, mas sim do universo ficcional criado por Bettega. O livro apresenta histórias envolventes que vão além do vírus, antecipando o cansaço, a imobilidade, a falta de sentido e o desconcerto da sociedade moderna. O título do livro já sugere a sensação de inércia que percorre os contos, e a frase “Deixe o quarto como está” reflete a sensação de estar preso e sem saída.

Os contos retratam personagens que sofrem de imobilidade profunda, presos em uma espera constante. São pessoas esperando pela cura, por um encontro, por algo que as liberte dessa prisão. Os contos se ligam entre si, passando a sensação de uma espera que é transmitida de um para o outro. Essas esperas são internas, refletindo o que acontece no mundo interior dos personagens.

Amilcar Bettega utiliza o gênero fantástico moderno para abordar questões coletivas da condição humana, como o cansaço, a doença, a melancolia e a falta de ação diante do mundo. Ele não define completamente os aspectos das histórias, deixando lacunas e abrindo espaço para interpretação do leitor. O autor trabalha com o não dizer e com a sugestão, proporcionando ao leitor a responsabilidade de criar os sentidos da história.

O livro não segue uma ordem realista (Realismo) e rompe com os nexos, afastando-se da realidade. Ao mesmo tempo, retrata o indivíduo moderno (Modernismo) ou pós-moderno (Pós-Modernismo), desamparado e desorientado diante da falta de sentido proporcionada pela religião e pela política. É uma obra que reflete o desconcerto do ser humano na sociedade atual.

“Deixe o quarto como está” é uma composição precisa de um mundo ficcional que, apesar de fantástico, não está tão distante da realidade. O livro provoca reflexões sobre o cansaço, a espera, a falta de sentido e a incerteza, mostrando uma visão profunda e envolvente da condição humana. Encontre aqui

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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