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O TRILHO AMARGO DO REGRESSO
O ônibus é um bicho de ferro e cansaço
que arrasta Maria pelo ventre da cidade.
Nas mãos, o cheiro do sabão e do asfalto,
no peito, a pressa de voltar à sua metade,
de chegar onde o lar é o único abraço. -
O INVENTÁRIO DO MEDO
O sol deitou-se cedo no morro,
mas não houve reza para o descanso.
Zaíta, no susto do metal que ruge,
deixou a boneca de pano no canto,
com os olhos de botão fitando o escuro. -
A FLUIDEZ DA HERANÇA
O Rio que Corre no Olhar
Procurei no tempo a cor exata,
No brilho baço da memória antiga,
A tonalidade que o destino maltrata
E que na face da mãe se abriga.