Mineirinho, de Lorena Ferraz
Clarice Lispector com relação ao assassinato de Mineirinho.
protegida, segura ao primeiro tiro, já o décimo terceiro lhe cai como a morte.
Clarice Lispector coloca de forma clara o pior dos sentimentos diante do acontecido. A realidade do “ser” enquanto cidadão em uma sociedade que ao mesmo tempo em que cobra, cala-se.
Ela aborda em um sentimento de compaixão a morte de um bandido que executado com treze tiros a faz refletir a violência de tal fato. Por que treze tiros? Qual o significado e a representatividade de cada tiro e a repercussão nacional de tal acontecimento?
Entre o joio e o trigo embasados em formas de penalização legitimadas pelo Estado.
Dia do trabalhador, em primeiro de maio de 1962 encontrado fuzilado em um matagal um homem destroçado. Dilaceraram seu corpo com perfurações diretas com perguntas e respostas. Mas “nenhum tiro em sua cabeça”, seu cérebro!
Percebe-se então a aproximação existente entre bandido-homem de bem-Estado. Onde interligados ao dia-a-dia de suas exigências sociais acabam todos se tornando suas próprias vítimas.
Vítimas de suas necessidades físicas e psicológicas impostas na época. Época? De que época falo eu? 1962, 1972, 1982… 2012, 2022?
Vivemos leis pré estabelecidas, impostas e direcionadas em prol do equilíbrio social. Individualizamo-nos (?) diante de proteções legislativas, pelo parágrafo único que é inerente a todos: “Não matarás”.
Apegamo-nos à verbalização e nos projetamos como sombras de nossas próprias ansiedades e fraquezas.
Sentiu-se aliviada, protegida, segura a o primeiro tiro, já o décimo terceiro lhe cai como a morte. A inquietação do calar-se, o remorso. O acúmulo de remorsos pelo próprio comodismo.
A vida que passa calada sem posicionamento qualquer.
Calada… Proteger/Estado/calada/Estado/leis/calada/leis/individualidade/morte e vida em uma existência.
Os policiais “heróis” que liquidaram com Lázaro carregavam em si mesmos necessidades individuais de qualquer ser humano. Ambos gritos de socorro diante de um Estado que calava, calou e ainda cala.
Leis criadas e incrustadas em cada indivíduo que permeiam décadas. Família padrão, economia padrão e classes sociais desmantelando a existência de cada ser individualizado. Leis criadas sempre favorecendo a elite, a mesma elite.
Em 1962 morre Lázaro, o mineirinho. A história repetindo-se constantemente; holofotes, imprensa, jornais, opinião pública seguindo ao mesmo tempo no passar das décadas.
Sina de “Lázaros”? Lázaro Barbosa é morto pela polícia em Goiás em 28 de junho de 2021.
Leis hipócritas e sociedade hipócrita constituídas por famílias hipócritas em uma nação absurdamente hipócrita. Encontre aqui
Lorena Ferraz