Diário de Bordo

A Escrita como Ponte: O Despertar da Voz na EJA

​Escrever é, antes de tudo, um ato de coragem. É o momento em que decidimos transformar o silêncio em palavra e a emoção em registro. No último dia 29 de abril, tive a honra de iniciar uma nova jornada nesse sentido: a Oficina de Escrita Criativa na Fundação Bidart, voltada aos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

​Este projeto nasce de uma parceria pulsante entre o Instituto TransformArte (ITTA) e o Projeto de Leitura da Professora Amanda Machado Mugica. Juntos, assumimos a missão de oferecer não apenas técnica, mas uma ferramenta de libertação e autoconhecimento para quem tem muito a dizer ao mundo.

​Derrubando Fronteiras Internas

​O propósito central deste trabalho é simples, porém profundo: quebrar as barreiras e fronteiras internas que muitas vezes impedem a expressão do sentimento. Na sala de aula, cada minuto é planejado para que surja uma nova palavra, um novo olhar sobre a própria história.

​A escrita criativa, aqui, não busca apenas a estética, mas a verdade de cada aluno. É gratificante observar o momento em que o estudante percebe que sua voz tem valor e que sua vivência pode — e deve — ser transformada em literatura.

​Uma Celebração Multicultural e um Legado em Papel

​Nossa caminhada não termina entre quatro paredes. A série de oficinas culminará no II Chá Literário, um evento que promete ser um marco para a comunidade da EJA/Bidart. Será um encontro de celebração, com a presença de alunos, coordenadores e a participação vibrante de artistas locais, integrando música, teatro e dança à literatura.

​E o compromisso com esses novos poetas vai além: já projetamos para o início de 2027 o lançamento de um livro. Esta obra será um registro histórico e coletivo, reunindo a produção resultante desta oficina e também os talentos que passaram pela nossa jornada em 2025.

​O Papel do Escritor

​Ministrar esta oficina, ao lado da professora Amanda, reforça minha convicção de que a arte deve estar onde o povo está. Ver a Casa do Poeta se expandir para dentro da escola é a realização de um ideal: o de que a poesia é um direito de todos e um dos trabalhos mais dignificantes que podemos realizar.

​Acompanhem por aqui os desdobramentos desta jornada. Afinal, cada poema declamado é uma fronteira a menos no coração de quem escreve.

Luiz Carlos Bucalon

e Mentor de Escrita Criativa

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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