Minha Poética

Tudo passa quando visto de cima, de Luiz Bucalon

Análise: A natureza como testemunha do tempo

Terra vazia. Uma peste. Um vírus. Uma pandemia. A raça humana desapareceu da face da Terra.

Tudo atirado aos bichos literalmente. O mato cresce toma as ruas e passeios. As trepadeiras escalam a fachada das casas e dos edifícios. Uma espécie de vegetação irrompe cerâmica, asfalto, concreto. O musgo reveste os telhados.

Os carros, caminhões e máquinas murcham os pneus e são tomados pelo capim. Nas lanchonetes os últimos salgadinhos petrificados.

Marlon estava com seus pêlos crescidos além da conta. Ainda voltou para casa durante alguns dias mas seus tutores desapareceram, diluiram-se no ar. Agora estava por sua própria conta e risco. Estava pela lei da sobrevivência.

Os animais domésticos se tornavam a cada dia mais selvagens. Os gatos da vizinhança tornaram-se em “tigres”; os cães em “lobos”.

Os bancos abarrotados de dinheiro e papéis valiosos; grandes empresas com sua maquinaria todas tomado por mato, tranformaram-se numa selva.

Eram flashes e flashes… Eu via a tudo do alto, sobrevoando sobre as torres e arranha-céus… Náusea… Algo sendo arrancado de mim… Meu coração… Meu cérebro… As memórias…

Análise Literária: “Tudo passa quando visto de cima” de Luiz Bucalon

Análise do poema de Luiz Bucalon, explorando temas de desolação, sobrevivência e perspectiva em um mundo pós-apocalíptico.

Tema Central e Contexto:

O poema “Tudo passa quando visto de cima” de Luiz Bucalon apresenta uma visão apocalíptica e reflexiva sobre a fragilidade da civilização humana diante da natureza. O poeta utiliza a imagem de um mundo pós-apocalíptico para questionar o valor das nossas conquistas e a nossa relação com o meio ambiente.

Elementos Literários:

Linguagem:

A linguagem é concisa e objetiva, com um forte apelo visual. O poeta utiliza verbos fortes e imagens impactantes para criar uma atmosfera de desolação e abandono.

Estrutura:

A estrutura do poema é marcada pela repetição de frases curtas e incisivas, que reforçam a ideia de um mundo em ruínas. A ausência de rimas e métricas regulares contribui para a sensação de desordem e caos.

Temas:

A fragilidade da civilização, a força da natureza, a passagem do tempo, a solidão, a perda e a reflexão sobre a existência são os principais temas explorados pelo poeta.

Figuras de Linguagem:

O poema faz uso de diversas figuras de linguagem, como metáforas “Uma espécie de vegetação irrompe cerâmica, asfalto, concreto”, personificações “Os carros, caminhões e máquinas murcham os pneus” e elipses “Marlon estava com seus pêlos crescidos além da conta. Ainda voltou para casa durante alguns dias mas seus tutores desapareceram, diluiram-se no ar.”

Interpretações e Possibilidades de Discussão:

A natureza como força incontrolável:

O poema demonstra o poder da natureza em recuperar os espaços ocupados pela humanidade. “Terra vazia. Uma peste. Um vírus. Uma pandemia”

A fragilidade da civilização:

A rápida degeneração da sociedade humana após o desaparecimento da espécie demonstra a fragilidade das nossas construções e instituições. “Estava pela lei da sobrevivência”

A solidão e a perda:

A história de Marlon, o cão, simboliza a perda e a solidão que acompanham a destruição da civilização. “As memórias… Meu coração… Meu cérebro…”.

A reflexão sobre a existência:

O poema convida o leitor a refletir sobre o sentido da vida e o legado que deixaremos para as futuras gerações. “Eu via a tudo do alto, sobrevoando sobre as torres e arranha-céus”

Perguntas para o Leitor:

— Qual a sua reação ao final do poema, quando o narrador menciona a sensação de náusea e a perda das memórias?
— Você acredita que a humanidade está destinada a desaparecer, como sugere o poema?
— Qual a importância da natureza para você? Como você vê a relação entre a humanidade e o meio ambiente?
— Que mensagem você acha que o poeta quer transmitir com este poema?

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luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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