Eu sou apenas um poeta Sentir é tudo o que consigo Quando criança eu tinha um sonho Bicicleta e amigos ao meu redor E ainda assim não tive a ambos E acabou por ser outro o meu fim
Nunca fui um garoto normal Jamais tive um quarto e tal Meus sonhos eram diferentes Eu não pensava em automóvel Eu só queria abrir a gaiola
Antes de dormir sempre chorava O suspiro era o epílogo da vigília Dormia contraído em posição fetal Não era compreendido e nem legal Apenas um moleque mal comparado
Então eu fechava-me nos livros Fugia assim à realidade férrea Viajava em minha idéia aérea Conheci outras cidades no mundo Descortinei outras verdades de fundo
Minha voz fina corpo desengonçado Nunca escalei uma árvore Os meninos brincando na rua Todos sujos de barro vida e pó Eu assistia a tudo pela janela
Eu via os acontecimentos nublados Nublados pelas lágrimas dos olhos Elas não escorriam paravam tão ali Inundando o globo da visão Então tudo brilhava tudo tinha cor Em minha alma fosca de silêncio e dor.
Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e
editor, foi também declamador, palestrante e
divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.