Resenha de Livros

Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo

Nascida sob a Lei do Ventre Livre.

Num ambiente hostil ela questiona seus sonhos.

Reescrevendo sua história e se reencontrando.

O romance “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo, conta a história da protagonista que sonha em ter um nome diferente do que lhe foi dado. Ela costuma ir ao rio e chamar por nomes inventados, pois sente que o seu verdadeiro nome não lhe pertence. Ponciá se sente vazia e sem identidade. A história se inicia nas margens do rio, onde a jovem cruza o arco-íris e percebe que sua essência não é alterada. O livro apresenta a trajetória de Ponciá desde a infância até a fase adulta, num vai e vem no tempo. Filha de Maria e neta do Velho Vicêncio, ela nasceu sob a Lei do Ventre Livre, porém, ainda há a separação entre a “terra dos brancos” e a “terra dos negros”. O livro é uma inversão de perspectivas, contado a partir da visão do

negro, algo raro na Literatura brasileira. Ponciá parte para a cidade grande em busca de uma vida melhor, mas acaba encontrando um ambiente hostil que a faz questionar seus sonhos. A personagem é comparada a Macabéa, de Clarice Lispector, pois ambas saem do interior para a cidade e se deparam com adversidades. A cidade faz Ponciá retornar ao passado e à sua família, em busca de suas origens. O avô da protagonista desempenha um papel importante na história, mesmo tendo falecido antes de ela nascer. Ele representa a ancestralidade de Ponciá. A personagem não busca resgatar uma identidade perdida, mas sim reescrever sua história e se reencontrar. O romance aborda as ausências e o racismo e sexismo enfrentados pelas mulheres negras, mas é escrito com ternura e afeto pela autora, através de um Realismo poético. Conceição Evaristo utiliza o conceito de “escrevivência” em sua obra, trazendo experiências de sua infância e vivência como mulher negra, sem desumanizar as personagens. O livro não é autobiográfico, mas apresenta histórias que mostram a complexidade e integridade das mulheres negras. A escrevivência também remete à memória coletiva do povo africano em diáspora no Brasil. Encontre aqui

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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