O casarão que só eu vejo, de Luiz Bucalon
Análise: Uma reflexão sobre memória e identidade
Oh meu casarão! Pelos poros de tuas velhas paredes tressandam noites mal dormidas e amanheceres de olhos cansados.
O pássaro de sempre à janela de sempre cantando a nostalgia das horas passadas dias em anos .
No casarão as paredes só existem por dentro acomodando as lembranças borradas no sereno lá de fora.
E perdido entre a textura amarga da memória no velho casarão, o ponteiro vertical do relógio de pássaro preso no peitoril de transparências.
Os gelados pingos de chuva sobre o telhado tilintam na nervura da indócil madrugada, que se despe à aurora enquanto o sol já tão febril a toma em seus raios de raiares milenares.
Depois a noite de antropofagias silentemente devora o velho e sombreado casarão, no útero negro de onde brota outra vez o presente, concebido pelo passar do tempo entre as frestas que ventam paralelas na solidão.
Este é o meu casarão! Não o procurem não!
Na relva molhada ainda há vestígios de uma história de vida e amor esfriados.
Bem aí entre os estralos do assoalho, resido à sombra das janelas cerradas dos meus olhos; eu sou ele outrora construído em mim, em uma vida que já passou de ser vivida.
O Casarão que só eu vejo: Uma reflexão sobre memória e identidade
Análise do poema de Luiz Bucalon, explorando temas de memória, identidade e nostalgia através da linguagem poética e simbolismo.
Análise:
“O Casarão que só eu vejo” é um poema que explora a complexidade da memória e identidade, apresentando uma narrativa lírica e evocativa. A linguagem poética e simbólica cria uma atmosfera de nostalgia e introspecção.
Tema da Memória:
A memória é um tema central no poema, representada pelo casarão e suas velhas paredes. A frase “Pelos poros de tuas velhas paredes tressandam noites mal dormidas” destaca a importância da memória na construção da identidade.
Tema da Identidade:
A identidade é outro tema importante, representada pelo eu lírico que habita o casarão. A frase “Eu sou ele outrora construído em mim” revela a conexão entre a memória e a identidade.
Tema da Nostalgia:
A nostalgia é um tema recorrente, representada pelo pássaro que canta “a nostalgia das horas passadas“. A imagem da chuva sobre o telhado simboliza a passagem do tempo.
Conclusão:
“O Casarão que só eu vejo” é um poema que reflete sobre a memória e identidade, apresentando uma narrativa complexa e emocional. A obra de Luiz Bucalon é uma reflexão profunda sobre a condição humana.
Perguntas ao Leitor:
— Como você interpreta a relação entre memória e identidade no poema?
— Qual é o papel da nostalgia na construção da identidade?
— Como a obra de Luiz Bucalon reflete a sociedade contemporânea em relação à memória?
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