Somos tão tão tão…, de Luiz Bucalon
Sei sou um louco desvairado empedernido e macaco, só eu sei o quanto ainda posso ser louco por acréscimo.
Sou um desses cabeludos de barbas longas que andam por aí a fora nos aéons desta vã existência.
Não pertenço ao grupo que olha por trás do muro psiquiátrico, pra ter a certeza que os “loucos” estão detidos atestando a “sanidade” mental de quem os vê.
A crença na existência de um reduto de loucos excluídos é a frágil medida da nossa suspeita sanidade por não estarmos lá dentro.
Não é necessário termos loucos para nos fazermos sanos; se eu não sou louco então porque provar?
Aliás é típico de todo o louco dizer “eu não sou louco”.
Ahhh! Já nem sei mais o que dizer! Falei tanto e nada disse, é isso aí tô por aí.
Ah são tantas quimerinhas, tanto fru fru fru, tanto mi mi mi… São etiquetas e finesses, moral e bons costumes…
Tantas e tantas frescuras; traje impecável, linguagem correta, vida invejável e tantos e mais etecéteras…
E tudo desemboca solidária e democraticamente na podridão das mais fétidas; em tudo em todos é o destino líquido e certo.
E não estou dizendo isso para desanimá-lo, digo-lhe isso para despertá-lo: não morra preso à mera casca quando toda a essência já escapuliu.
luizbucalon