Poemetos em Lá Menor, de Luiz Bucalon
Do fundo de violar canto à sinfonia de te amar tanto, basta uma nota de encanto.
A poesia ou é incompreendida por ser inexplicável ou é inexplicável por ser incompreendida, talvez as duas coisas juntas.
Cara de Eva jeito de pecado, num pranto, numa lágrima seduz, és a receita perfeita da tentação.
Se o Sol ainda não despontou foi por puro ciúme, pois de tanto adorar-te, a Lua rendida aos teus pés amanheceu.
No arrastar-se do ponteiro já sem hora, a tal e lenta espera nos devora.
Mas tu tão aqui tão perto do sim, do feto crespuscular onde suór e sangue se amalgamam.
Pertenço a um tempo que jaz sem tempo.
Quanto tempo um relacionamento deve durar para que digamos que foi algo bom?
Que todos os dias eu seja um novo homem com um corpo novo penetrando um corpo novo de uma nova mulher.
Chego ao longe na noite da rua
toco no doce veludo da tua fala
entro à casa embriagado de lua
à cintura dançamos rés da sala.
luizbucalon