Poemetos em Lá Maior, de Luiz Bucalon
Canto eu o agora, afinando o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro.
E tudo não é tudo, é só uma vibração, um repicar de sinos e aves em arribação.
Nada do que aqui está realmente existe, mas tudo o que vejo então coexiste.
Eu irradio meu sentimento impregnando a atmosfera, eu sou fora o que levo dentro recriando uma nova era.
O que podem dizer de mim os homens, sobre algo a meu respeito que eu já não o tenha dito sob meu autoconceito?
Eu sou tudo aquilo que contemplo
no artifício da minha atenção
e no sonho mais veloz que o tempo
trancafio aos grilhões o coração.
Ainda hoje muitos homens não admitem que os atributos masculinos estão a serviço da feminilidade.
Há uma luz em mim
e um bem e um mal
e acordas tão assim
em tua pele meu sal.
A risada louca tira-me da cama na madrugada entre sonhos de modernidades tão vãos e medievais.
Não quero sua aprovação
lance-me ao degredo
e na mala ainda eu levo
aquele então segredo.
luizbucalon