Meu soneto dolorido
De em tempos, ela aparece.
-Há quanto tempo não lhe via!
Talvez, por hoje, a alma fria…
Sem defesa ou mesmo prece.
Em minha cama remexida, ela se esgueira e se deita.
As suas carícias viram rugas;
Sabe de cor às minhas fugas.
Eu lhe digo que não quero! Ela me olha e rejeita.
Se deita nua, com sua voz calma e profunda.
Indefeso… É tarde! Me deparo envolvido.
Apático! Covarde! Em seu abraço consumido.
Aturdido em seus braços, numa tarde de segunda.
Posso chama-la de vários nomes: Ana, Paula, Lua, Flor…
Mas prefiro o verdadeiro, e lhe chamo, apenas dor.
Marcelo Varella
Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e
editor, foi também declamador, palestrante e
divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.
2 Comentários
Silvia
Poema triste, mas real. Quem não se depara, cara a cara com uma realidade assim?!
Parabéns ao poeta! Sábias palavras…
Luiz Bucalon
Obrigado por estar aqui!