Ignea Mulher
Conto erótico – Prosa
Meu olho captura num raio o fino tecido, o véu do céu, um negro e ralo sombreado oculta ao solo um jardim suspenso.
Ela estava sentada numa sala de espera, numa poltrona sentada com as pernas muito juntas. As costas eretas, figura clássica e austera, olhar longiquamente vago vagando anoiteceres.
Numa poltrona em frente um par de olhos fitados penetra-lhe o espaço exíguo espaço ao redor. Os olhos olham olhares, olhos que miram abaixo, ela ressaltada se deixa cair e o corpo sai a levitar.
Corpo frenético corpo, a pele arrepia na trêmula carne, os olhos de olhares queimam,
Afastam-se lentas as pernas. Meu olho captura num raio o fino tecido, o véu do céu, um negro e ralo sombreado oculta ao solo um jardim suspenso.
Olho olhando por trás da cortina, minha incandescência abrasando… Ela respira fundo, fecha os olhos, atira as costas pra trás.
Encaminho-me então ajoelhado até seus joelhos tocar, são tão lindas colunas de mar.
A pele da perna na pele da mão… Afasto mais as suas pernas, colo meu rosto de sonho ali, meu hálito quente exalo, mordo o tecido exato.
Mordo sugo absorvo o cheiro, ela ainda alheia sem ver abre as pernas a escancarar. Abro a boca do doce sedenta, imponho meus lábios aos lábios. Preso ao dente ergo o véu, da semente a flor desabrocha, uma boca tão bela e vertical.
Nos dedos afasto pétalas, na língua eu colho pérolas tal desbravador embrenhado, chupo teu gosto bem lá dentro. Com os dedos os lábios separo, descortino a abro enfim. Como és linda todinha na carne macia colcha tépida e carmim.
Aliso meu rosto nesse beijo, roço a barba na frente assim, o nariz a boca o queixo desejo.
O corpo inteiro compulsa o fim. Cabeça atirada pra trás, os cabelos aos ombros caídos, a boca de gritos aberta e muda. Ela contrai por dentro dor e prazer.
Seguro então tua taça num brinde e bebo teu mel e lambo os dedos, embebedar-me-ei dessa colméia de boca colada na gruta. Ela geme suspira e solta-se, a cabeça pende os dedos apertam… Uma fúria mulher ecoa surda, um lapso de tempo que apaga.
Como é gostoso teu fruto, como é dulcíssimo teu mel, embriagante servido licor, sou cativo na teia do amor.
luizbucalon