Labirinto das Letras

Assim estou inscrito

Ensaio filosófico – Fluxo de Consciência – Poética – Diário

As pessoas ajudam a outras pessoas para ajudarem-se a si mesmas. Tudo é uma grande e infinita sobreposição de espelhos. Tudo é refletor e reflexo a um só tempo e lugar.

Isto é a minha vida, apesar de que nem tudo aconteceu desse jeito, dessa forma e nessa ordem. Não importa, pelo menos a mim não importa, se foram de fato assim ou não, o que interessa mesmo é como eu vejo e sinto a tudo. Nenhum escritor escreve se não for sobre a sua própria vida.

Até mesmo quando penso escrever sobre outra pessoa ou um fato externo a mim, estou falando diretamente da minha pessoa, daquilo que sou. Posso escrever sobre outras pessoas ou coisas ou fatos, mas a forma de enxergar os mesmos é minha, o modo de narrá-los e descrevê-los é só meu. O estilo de escrita é meu. No tempo e no espaço da escrita ali também estou eu. A interpretação da pessoa, da coisa ou do fato é só minha, ninguém vê e nem verá o mesmo objeto da mesma forma que eu o vejo logo… Sempre acabo escrevendo sobre mim.

E é tudo assim. As pessoas precisam de outras pessoas para fazer amor com elas mesmas. Elas não transam com o seu parceiro mas com suas próprias fantasias sexuais. As pessoas ajudam a outras pessoas para ajudarem-se a si mesmas. Tudo é uma grande e infinita sobreposição de espelhos. Tudo é refletor e reflexo a um só tempo e lugar.
Então, este traço é a minha própria vida. Escrevo sobre coisas rebuscadas na memória de dias ou anos, sobre coisas que acabam de acontecer, sobre imagens que penso ser reais e sobre coisas que sei que não aconteceram mas que dou-me a licença poética de escrevê-las. Este escrito só terminará de ser escrito quando eu não puder mais escrevê-lo. A mensagem pode ser triste, alegre, real ou fantástica sei lá, pois no final das contas tudo é real à medida em que nos permitimos aceitar ou não. Não tenho compromisso com nada nem ninguém além de mim e do que sinto e penso no presente momento, pois é certo que tudo poderá e irá mudar. Este livro é uma viajem para quem quer viajar. São tantas as paragens… Tantas as paisagens… De todos os matizes e sons…

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

6 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *