O doce goteja em meus lábios era o doce mais doce em teu seio.
Estava deitado nu sobre a cama Por debaixo da porta uma bruma Miríades multicoloridas sonoras Em nuvem furtacor disforme
Paira sobre meu corpo fulgor Era um alento de quase dor Um vulto de mulher no ar pairado Lentamente invade o espaço airado
Ainda podia ouvir o surdo som Das suaves incontáveis asas Sim era uma mulher que descia E a olhar-me promessas sorria
Envolvido lá eu estava no tempo De pernas entreabertas ao léu Senti o toque morno da sua pele E braços a envolver-me em véu
Um beijo íntimo de âmago azul Um ir e vir infindo quase serpente Uma ânsia angústia um porvir Raios e dedos crispados a luzir
Meus olhos semicerrados ao meio Observam em curvas um voluteio O doce goteja em meus lábios Era o doce mais doce em teu seio
Sutilmente extraiu-me de mim Num abraço tão vivo carmim Mais diáfana se faz ao gemido E as borboletas que saem de mim.
Nota do autor:
Esse poema é um extrato de uma história que escrevi há um tempo ocorrida na Idade Média onde uma moça oriunda de uma família de ocultistas perseguida pela Igreja e um padre apaixonam-se. Ambos são presos pela Inquisição Católica e mantidos separados em locais distintos até a sentença final. A moça utiliza-se de seus conhecimentos ocultos e numa nuvem de borboletas sai ao encontro e resgate do seu amor.
Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e
editor, foi também declamador, palestrante e
divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.