Minha Poética

A Parede, de Luiz Bucalon

Poema sobre a vida (comentado)

Está frio aqui quase congelado
e o frio de minhas veias queima…

Vagando rezando vagando
Vejo tudo azul quase cinza
Caminhando caminhando
Tropeçando entre sóis e luas
Astros reciclados no fogo
Na ardência do fogo eterno
Onde a eternidade é o elemento

Então sigo olhando rezando
Olhando vagando sentindo
Está frio aqui quase congelado
E o frio de minhas veias queima
Meus dedos tremem quebram
Meus dedos de vidro rompem
E um cometa a milhares de anos
Tantos anos-luz de mim furacão
Atiro-me pra longe sempre de mim
Cada vez mais e mais longe

Há uma galáxia um paraíso enfim
Algo que não posso tocar sentir
Que entra-me ao corpo mole leve
Então brilho ilumino incendeio
De dentro pra fora vagando sempre
Levado sempre pela alta maré dos ventos lunares
Olho de cima onde tudo escorre
Onde tudo arroja e o tempo ejacula

Há o torvelinho linho sorve gelo
O gelo encobre o fogo plástico
O fogo eterno na vitrine do tempo
E sigo vagando orando olhando
Mas a parede a parede é uma parede
Como toda parede prende-me na argamassa do tempo lento tempo…

Nota do autor:
Dias que a vida é sempre igual, que tudo que há pra ver já fora visto de algum modo. Dias que já não há mais caminho, que não há lugar pra mim, sinto-me estranho, um estranho no ninho. Dias que o mundo grandioso, que a vida fabulosa pertence a todos menos a mim. Dias que estou tão down, vejo tudo acinzentado mesmo em plena primavera. Mas sem mais esperar nem esperançar tudo vira, tudo câmbia e alguma coisa ilumina os olhos, aquece o peito, reacende a alma, então tudo fica bem! Porém continuo preso como numa parede de espêssa argamassa. 

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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