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Visita de fausto, de Alexandre Coelho

— Irei me recolher agora. Por favor um pouco mais de vinho e Deixe-me…

— Sim mestre irei depois do senhor, senão me precisar mais.

— Preciso dormir um pouco, mas ainda tenho vinho no cálice e irei até o fim.

Espero que não apareça inconveniente e nefasto.

Porque me atormenta ?

Sorrisos.

— Jovem estás a me esperar todas as noites, pois és filho das sombras e nunca será da luz.

— Vil criatura, mentirosa, Afaste-se, bebi um pouco a mais, e devo estar sonhando.

— Não.

Não bebeu filho meu.

— Nunca serei…

Fausto horrível, aqui não é seu lugar, Não fale mais e retire se …

Por favor!

Trazes a morte e a feiura.

— Me desejas todas as noites jovem Precisa de mim.

— Não! Não!

Nunca!

Porque carrego medo em minha carne?

Meu espírito está em pranto, e há vozes que me fazem mal. Me forçam fazer coisas…

Saia!

Ser nefasto, vindo da escuridão.

Não carregas o perdão, desejas o meu fim.

Sorrisos

— Ja está morto jovem.

Sorrisos

— Não sentes?

Em mim não acreditas?

Ou não quer admitir que saboreia essa condição?

Tolo e hipócrita,

blasfêmia é oque sai da tua boca,

pequena criação inútil.

— Suma fausto mentiroso.

Asqueroso ser…

Desejo vê-lo no seol

Na morte infinita.

Sorrisos

— Nunca irei

Aqui viverei,

todas as noites eu virei Te visitarei

e te levarei.

Assim será

Assim serei

Eu voltarei.

— Suma Repugnante aberração

Porque fostes criado ?

A luz não te aprova

Traidor!

Sorrisos.

— Eu te manípulo como quiser, jovem Seu tolo.

— Fecharei meus olhos

Espero nunca mais te ver.

Fausto caluniador

Opositor!

Estou a sonhar

Me perturba

Me inveja por minha perfeita criação

E quer tomar minha liberdade

Mas nunca a terá

Invoco os espíritos da luz

Para que levem no

Volte para escuridão

Sorrisos

— Voltarei E te beberei

Morrereis aqui

Hoje! Insolente !

Pensas que podes afrontar

O senhor do escuro.

Beba seu último cálice e ajoelhe se.

Entregue-se a mim ceifar-te irei nesse instante.

Repito!

Insolente criatura indesejada

Imperfeita

Será teu fim.

Assim decido teu destino

Porque nunca a coragem te tomou

E assim ousou virar as costas para a luz

E ela entregou te a mim…

Covarde.

Levo te comigo…

Um vazio

O cálice cai diante do fogo,

O corpo

Desfalece no chão do escuro aposento.

E nunca mais a luz cobriu aquela hora…

Fausto.

Domínio Nefasto.

Alexandre Coelho

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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