Minha Ignorância, de Luiz Bucalon
Poema sobre a vida (comentado)
O saber é dobra sobre dobra
e o mistério é o que ele cala.
Eu não sei de nada nada nada
Simplesmente ignoro a tudo
Ah! Como gostaria de saber!
Sonho abandonar a ignorância
Ao saber de que nada sei
Contraio matrimônio com o conhecimento
Pois a ignorância é minha aliada
Se eu não ignorar a sua existência
Talvez eu até saiba de algum pouco
Uma gota num oceano quiçá
Um minúsculo ponto branco numa imensa tela negra
Já não sou um total ignorante
Mas ainda tão longe daquele sábio
O mais sábio dos homens
De uma só parte ele fala
O saber é dobra sobre dobra
E o mistério é o que ele cala.
Nota do autor: Quando dou conta de que nada sei de fato é uma tristeza e ao mesmo tempo uma alegria! Se por um lado compreendo que o mais sábio dos sábios consegue apenas abordar a uma só e pequena parte da questão como um todo, e isso é até frustrante, por outro lado sinto-me aliviado ao constatar que o grande saber é ilusório dada à imensidão cósmica dos conhecimentos acumulados que se cumulam com os que ainda virão. Então volto à estaca zero, "sei que nada sei", e isto é maravilhoso pois livro-me da dor da impotência de não poder saber tudo, ao entender que o que posso mesmo é saber o máximo possível durante uma vida temporalmente limitada. E nessa consciência de que tudo que sei sempre será pouco, vem-me a humildade suficiente para continuar conhecendo e aprendendo.
luizbucalon