Minha Poética

Minha Ignorância, de Luiz Bucalon

Poema sobre a vida (comentado)

O saber é dobra sobre dobra
e o mistério é o que ele cala.

Eu não sei de nada nada nada
Simplesmente ignoro a tudo
Ah! Como gostaria de saber!
Sonho abandonar a ignorância

Ao saber de que nada sei
Contraio matrimônio com o conhecimento
Pois a ignorância é minha aliada
Se eu não ignorar a sua existência

Talvez eu até saiba de algum pouco
Uma gota num oceano quiçá
Um minúsculo ponto branco numa imensa tela negra
Já não sou um total ignorante
Mas ainda tão longe daquele sábio

O mais sábio dos homens
De uma só parte ele fala
O saber é dobra sobre dobra
E o mistério é o que ele cala.

Nota do autor:
Quando dou conta de que nada sei de fato é uma tristeza e ao mesmo tempo uma alegria! Se por um lado compreendo que o mais sábio dos sábios consegue apenas abordar a uma só e pequena parte da questão como um todo, e isso é até frustrante, por outro lado sinto-me aliviado ao constatar que o grande saber é ilusório dada à imensidão cósmica dos conhecimentos acumulados que se cumulam com os que ainda virão. Então volto à estaca zero, "sei que nada sei", e isto é maravilhoso pois livro-me da dor da impotência de não poder saber tudo, ao entender que o que posso mesmo é saber o máximo possível durante uma vida temporalmente limitada. E nessa consciência de que tudo que sei sempre será pouco,  vem-me a humildade suficiente para continuar conhecendo e aprendendo. 

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *