Um banho profundo, de Luiz Bucalon
Poema sobre a vida (comentado)
Afasto minhas roupas para entrever
A eternidade…
Afasto minhas roupas para entrever
A eternidade de juventude e lateral
A ereção precipitada de sonhos e divagares ao vento intempestivo
A água fria sobre a carne eriça meus pêlos, comunica meus poros
Ardem lembranças sob a alma do dia
Dentro do choque milimétrico da pele primeira
Por baixo da pele há uma outra pele
A textura aveludada da pétala rósea
Recobre esssa doce floral camada
Marcada de pruridos ancestrais ocultos em tempos de silêncios estelares
Por baixo dessa pele ainda há uma outra pele invisível ao olhar de toque
É um aroma de almiscarada doçura e palidez translúcida e planetária
E por fim uma outra pele incolor, inodora e atemporal
Um tecido de pulsos e pulsões, de dores refinadas de espírito
Algum acontecimento sub-gênese e akáshico registro
Sob a pele da pele da pele uma porção vertical de carne dura carne
Onde resguardam-se fardos de espinhos cegos e claudicantes
Noutra carne colada à carne um antropofágico desejo remonta
Na devassidão das eras, na vastidão dos espaços intra e supra solares
Depois vêm os ossos edifícios assombrados de teias e palcos
Sombreados por teares e fios que tramam a tecitura de homem
Pedras clamam águas fendidas mares passados salobros, insalubres
E por fim e ao fim de tudo bem pra lá do fim conhecido e quebrantado
Reluz uma pérola forjada na ira de monges medievais
Anseios terra média entre fogos violáceos e fornalhas de lastro onde os calores ondulam adiante e acima do simples sentir palpitante.
Nota do autor: Quando nos despimos de tudo. O despir-se de crenças, opiniões, convenções, filosofias e regras até que tornemos ao nada ou à base de tudo. O ressurgimento do ser ancestral ainda antes do estado hominal.
luizbucalon