Labirinto das Letras

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Artigo de opinião – Escrita reflexiva

O instituto do anonimato abre portais e escoadouros de infâmias e difamação através da dilação das veias do fanatismo, do preconceito e da intolerância à mínima divergência e a toda a diversidade.

As redes sociais têm a favor de si o princípio da democratização da expressão do pensamento e do sentimento, a pulverização de conheceres e saberes, da participação ativa nos debates e destinos.
Mas tudo que é pulverizado é mal distribuído e peca na qualidade, o que resulta na banalidade oculta na opacidade obscura sem origem nem destino, onde o centro desloca-se difusamente à circunferência.

Falar hoje da solidez e da tangibilidade das relações já é um tanto quanto difícil frente a volatização e abstração das afecções socializadas em rede, cabe aqui dizer que afetos, saberes, discursos e personalidades outrora materiais e palpáveis são na atualidade transformados e diluídos numa rala cortina de fumaça e logo aspirados numa bruma de efemeridades que se plasma às raias da futilidade e da inconsequência.
Tratando de relacionamentos, estes na maioria dos casos perdem sua longevidade e elasticidade, caem no vão da intolerância e da imediata descartabilidade diante da menor dificuldade ou divergência de opinião e intesses. As redes sociais são dotadas dos magnos dispositivos de deleção, bloqueio e cancelamento onde encerrar é mais prático do que consertar, isto devido à intempestividade de rasos relacionamentos meramente idealizados e fora disso descompromissados. Não seria distante dizer-se de um leilão de conveniências numa galeria de egocêntricas frivolidades.
Por outro lado o instituto do anonimato abre portais e escoadouros de infâmias e difamação através da dilação das veias do fanatismo, do preconceito e da intolerância à mínima divergência e a toda a diversidade. A instantaneidade da coisa virtual desemboca na frivolidade do banal, abre o vazio do distanciamento e da irresponsabilidade com o outro, o próximo, a vítima; já não há o olhar nos olhos nem o mínimo sentimento da dor alheia, se na ausência do corpo e da carne a dor é só uma fria idéia logo superada e esquecida.
E por fim a pessoa tranfoumou-se num avatar, o rosto um perfil e a história um status volátil e solúvel, volante e volúvel.
Se por um lado as redes sociais atribuem liberdade, direito e poder, por outro carecem alguns usuários do senso de dever, de responsabilidade e de bom senso fundamentalmente correspondentes.

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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