Somos Perfís
Artigo de opinião – Escrita reflexiva
O instituto do anonimato abre portais e escoadouros de infâmias e difamação através da dilação das veias do fanatismo, do preconceito e da intolerância à mínima divergência e a toda a diversidade.
As redes sociais têm a favor de si o princípio da democratização da expressão do pensamento e do sentimento, a pulverização de conheceres e saberes, da participação ativa nos debates e destinos.
Mas tudo que é pulverizado é mal distribuído e peca na qualidade, o que resulta na banalidade oculta na opacidade obscura sem origem nem destino, onde o centro desloca-se difusamente à circunferência.
Falar hoje da solidez e da tangibilidade das relações já é um tanto quanto difícil frente a volatização e abstração das afecções socializadas em rede, cabe aqui dizer que afetos, saberes, discursos e personalidades outrora materiais e palpáveis são na atualidade transformados e diluídos numa rala cortina de fumaça e logo aspirados numa bruma de efemeridades que se plasma às raias da futilidade e da inconsequência.
Tratando de relacionamentos, estes na maioria dos casos perdem sua longevidade e elasticidade, caem no vão da intolerância e da imediata descartabilidade diante da menor dificuldade ou divergência de opinião e intesses. As redes sociais são dotadas dos magnos dispositivos de deleção, bloqueio e cancelamento onde encerrar é mais prático do que consertar, isto devido à intempestividade de rasos relacionamentos meramente idealizados e fora disso descompromissados. Não seria distante dizer-se de um leilão de conveniências numa galeria de egocêntricas frivolidades.
Por outro lado o instituto do anonimato abre portais e escoadouros de infâmias e difamação através da dilação das veias do fanatismo, do preconceito e da intolerância à mínima divergência e a toda a diversidade. A instantaneidade da coisa virtual desemboca na frivolidade do banal, abre o vazio do distanciamento e da irresponsabilidade com o outro, o próximo, a vítima; já não há o olhar nos olhos nem o mínimo sentimento da dor alheia, se na ausência do corpo e da carne a dor é só uma fria idéia logo superada e esquecida.
E por fim a pessoa tranfoumou-se num avatar, o rosto um perfil e a história um status volátil e solúvel, volante e volúvel.
Se por um lado as redes sociais atribuem liberdade, direito e poder, por outro carecem alguns usuários do senso de dever, de responsabilidade e de bom senso fundamentalmente correspondentes.
luizbucalon