Minha Poética

Sêco ao sol, de Luiz Bucalon

Uma Caminhada Pela Perda e o Esquecimento

Um poema para um dia de chuva por dentro

Saio pra rua sem maiores esperas
Saio pra rua assim por sair
Por não poder ficar
Assim sem ir
E ao sair

Vou de bolsos vazios e nada nas mãos
nem um convite nem uma esperança
nem uma data de busca ou vencimento
nada que me faça lembrar o esquecido nem esquecer o já vivido
o já amado o já perdido

A noite pássaro negro abre suas asas
um negrume de tijolo argamado na seiva das horas noturnas
quero passar e o ar pedra do tempo se cumula nas vias artérias do peito

O sereno compacta tonelada de pano e calor sob a chuva de asteroide numa alegria de pranto e desespero lilás

Penso voltar mas a hora do galo impertinente me dá a distância do tempo espelhada nas poças de chuva metalizada de açoite nos meus cabelos longos

O retorno quase sempre é de mãos vazias de memórias frias e sóis amarelados de ironia

Na caminhada perdi meu rosto meus olhos meu gosto
e a máscara dependurada no esquecimento descolada
e numa aquarela sob as tempestades tudo escorre e o que sobra são só metades.

Análise do poema de Luiz Bucalon, explorando temas de perda, esquecimento, solidão e busca.

Análise:

“Sêco ao Sol” é um poema que explora a ideia de perda e esquecimento, apresentando uma caminhada solitária pelo tempo. O autor reflete sobre a busca por significado e conexão.

Tema da Perda:

A perda é um tema central no poema, representada pela ausência de esperança e convite. A frase “Vou de bolsos vazios e nada nas mãos” destaca a sensação de vazio.

Tema do Esquecimento:

O esquecimento é outro tema importante, representado pela perda de memórias e identidade. A frase “Perdi meu rosto, meus olhos, meu gosto” revela a dissolução da identidade.

Tema da Solidão:

A solidão é um tema recorrente, representada pela caminhada solitária e pela chuva. A frase “A noite pássaro negro abre suas asas” destaca a sensação de isolamento.

Tema da Busca:

A busca é um tema fundamental, representada pela necessidade de encontrar significado. A frase “Quero passar e o ar pedra do tempo” revela a busca por conexão.

Perguntas ao Leitor:

— Como você interpreta a relação entre perda e esquecimento no poema?
— Qual é o papel da solidão na busca por significado?
— Como a obra de Luiz Bucalon reflete a experiência humana de perda e busca?

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luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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