Minha Poética

Por que são verdes os pastos?, de Luiz Bucalon

Poema sobre a vida (comentado)

Rumino no início rumino até o fim
rumino também por tanto ruminar.

Alguém já disse um dia que filosofar é ruminar.

Alguém já disse um dia
Que filosofar é ruminar
E que a exemplo de vacas na campina
A diferença entre o vivo e o morto
É que o morto deixou de ruminar

Eu diria que ruminar é o pleno exercício de viver
Pois eu rumino rumino muito
Rumino de noite rumino de dia
Rumino por dentro rumino por fora
Rumino completo rumino a toda hora

Se me amas rumino o porquê de me amar tanto
Se não me amas rumino o motivo por não me amar
Se estaciono rumino por que só um canto
Se fico triste rumino o porquê de não cantar

Mas é assim e sempre fora assim
A vida é um eterno ruminar
Rumino no início rumino até o fim
Rumino também por tanto ruminar.

Nota do autor:
Como vacas que estão sempre ruminando, eu estou sempre pensando, questionando,indagando, inquirindo intimamente sobre as coisas da vida. Minha cabeça é uma fábrica de inquietações. Sempre quero saber o por quê sim e o por quê não disso e daquilo; ainda têm os planos, os sonhos, os julgamentos destes e daqueles e lá se vão os dias a ruminar. E assim, por dentro do contentamento vem de cabeça baixa o descontentamento; com a satisfação quase de mãos dadas vem a insatisfação. Estou sempre desconfiado de algo ou com alguma coisa. Quando quero uma mulher faço tudo para tê-la, mas quando diante da chance questiono do por quê da sorte e aí vem a insegurança e a desconfiança; isso é só um exemplo. Então perdo-me entre tantos ruminares.

luizbucalon


Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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