Por que são verdes os pastos?, de Luiz Bucalon
Poema sobre a vida (comentado)
Rumino no início rumino até o fim
rumino também por tanto ruminar.
Alguém já disse um dia
Que filosofar é ruminar
E que a exemplo de vacas na campina
A diferença entre o vivo e o morto
É que o morto deixou de ruminar
Eu diria que ruminar é o pleno exercício de viver
Pois eu rumino rumino muito
Rumino de noite rumino de dia
Rumino por dentro rumino por fora
Rumino completo rumino a toda hora
Se me amas rumino o porquê de me amar tanto
Se não me amas rumino o motivo por não me amar
Se estaciono rumino por que só um canto
Se fico triste rumino o porquê de não cantar
Mas é assim e sempre fora assim
A vida é um eterno ruminar
Rumino no início rumino até o fim
Rumino também por tanto ruminar.
Nota do autor: Como vacas que estão sempre ruminando, eu estou sempre pensando, questionando,indagando, inquirindo intimamente sobre as coisas da vida. Minha cabeça é uma fábrica de inquietações. Sempre quero saber o por quê sim e o por quê não disso e daquilo; ainda têm os planos, os sonhos, os julgamentos destes e daqueles e lá se vão os dias a ruminar. E assim, por dentro do contentamento vem de cabeça baixa o descontentamento; com a satisfação quase de mãos dadas vem a insatisfação. Estou sempre desconfiado de algo ou com alguma coisa. Quando quero uma mulher faço tudo para tê-la, mas quando diante da chance questiono do por quê da sorte e aí vem a insegurança e a desconfiança; isso é só um exemplo. Então perdo-me entre tantos ruminares.
luizbucalon