Poemetos em Dó Menor II, de Luiz Bucalon
Estou na terapia
é muito bom ter a pia
cheia de louça vazia
tudo muito muito lindo
do sujo passando a limpo.
Ao esticar os lençóis da minha cama, desvio-me a cheirá-los com paixão, com minúcias… Como a capturá-la entre a trama do tecido e a gana da libido?
Meu coração é um mar, onde as ondas do amor vêm e vão e permanece ainda o coração.
Muita coisa pode ser linda
mas há uma lindeza de lindar
e não é uma lindeza qualquer
é uma lindeza de mulher!
Goste ou não goste jamais desgoste.
O agora é só agora, depois o jantar esfria e o que estava perto vai embora.
Jamais caminharei só, a solidão é minha companheira, sombra primeira.
Quem prende nem sempre apreende, mas quem apreende quase sempre prende; assim como quem sempre entende e que às vezes e quase nunca compreende.
Pelo espelho duas desejo, uma que não toco outra que não vejo.
Amigo não posso tirar-lhe da morte nem devolver-lhe à vida, mas posso segurar-lhe a mão.
luizbucalon