Labirinto das Letras

Toda memória reflete o passado

Ensaio filosófico- Crônica reflexiva

Quando pensamos, é sobre algo que está ocorrendo ou que já ocorreu, de qualquer forma ele já está no passado ou já se encaminha para o mesmo.

Aponte-me uma coisa criada pelo homem que não seja fruto da atividade do pensamento.

A educação, a religião, a filosofia, as ciências, a moral, a ética, as leis e tudo o que aqui existe deriva do pensamento. Tudo é pensamento e tudo é memória e toda memória é passado.

Quando o fenômeno acontece e a coisa passa a existir de fato, bem ali no momento em que se dá a conhecer, então ali está o presente. Depois tudo se torna num pensamento sobre o acontecido, uma imagem, um conceito, uma abstração e um registro na memória, então o que estava no frescor do momento presente já fora cristalizado, preso e estagnado como num arquivo, num filme, numa fotografia.

Quando pensamos, é sobre algo que está ocorrendo ou que já ocorreu, de qualquer forma ele já está no passado ou já se encaminha para o mesmo. Recordo trechos da Bíblia, lembro de minhas muitas aulas na escola, lembro da última enchente enfim, tantas coisas acodem-me à memória; e tudo é tão somente o passado.

Ainda trago comigo a imagem de uma árvore que contemplei ainda ontem no parque municipal e que hoje a trago na memória. A imagem que tenho da árvore não é a árvore propriamente vista é só a sua imagem. Tudo o que precisa de memória é passado.

A memória é arquivo e guardiã, todo o guardado teve seu surgimento num tempo passado.

A religião nos dá um Deus desbotado entre as cinzas da letra morta; apenas uma imagem que se insinua ser um Deus, porque é elocubração do pensamento já arquivado na memória através de dogmas, rituais e cerimônias.

O sorriso de uma criança, o desabrochar de uma flor, o sentimento de Deus devem ser fatos presentes bem no momento em que se dão à experiência de cada um de nós, depois serão só imagens congeladas na memória.

Vivemos sob o reinado da memória e do passado.Trabalhamos ativa e incansavelmente pelo pensamento, pela perpetuação da memória, acrescentando mais e mais ao território do passado.

O pensamento é alimentado pela memória e a memória pelo pensamento. Seria impossível definí-los separadamente, a ação de um implica na intervenção do outro. Tudo é pensamento logo tudo é passado.

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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