Páro e olho a terra no contentamento e já sou um com ela de encantamento.
Eu sou o insólito, o fugaz e o banal apenas um poeta e em nada genial.
Cobra lagartixa pedra chão acalma Todos olham para o alto e grande Mas o pequeno e baixo compõe a alma Corpo desnudo ao vento expande
Despido de filosofia, história e geografia Rasgo a matemática e a astronomia Depois de tudo resta o que eu sinto Deslavado nu desmascarado afinco
Não sou doutor, engenheiro ou professor Nem afeito a inquisições ou confissões Eu sou José e talvez João Afino canto pé ao rés do chão
Eu sou o insólito, o fugaz e o banal Apenas um poeta e em nada genial Páro e olho a terra no contentamento E já sou um com ela de encantamento
Quando era pequeno eu queria ser grande Agora grande volto a ser pequeno Pois a escala de peso e medida Não se aplica às importâncias da vida.
Nota do autor:
Aqui talvez no que poderia tratar-se de uma pedagogia da terra, chamo a atenção para a beleza e o encantamento da mesma em suas coisas pequenas, aquelas que muitas das vezes nos passam sem a devida percepção. Geralmente nos distraímos olhando ao alto e às coisas grandes as quais nos enchem os olhos. Sob os nossos pés há um universo efervescente de vida e importância a todo o ecossistema.
Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e
editor, foi também declamador, palestrante e
divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.
3 Comentários
Maria Helena
Que fantático a beleza do simples…está se tornando eterno na simplicidade de suas poesias
Luiz Bucalon
Muito agradecido por sua visita e tão doce apreciação! Abraços!
Luiz Bucalon
Muito obrigado por sua leitura!