Não há verdade absoluta, de Luiz Bucalon
A verdade não existe
Ela é apenas um conceito
E como todo conceito
Depende da palavra
Mas a palavra é fixa
E a vida é móvel
Mas a palavra não explica tudo
Porque se explicasse não se daria a comunicação em tempo real
Então apenas não há verdade
A palavra simboliza objetos e fatos
Mas nunca a qualidade particular e intrínseca destes
Pois se existem trilhões de objetos e fatos
E cada um com trilhões de particularidades
Então disso a palavra não dá conta
Ainda que houvesse um esforço para que tudo coubesse na palavra
Ainda assim a aparente verdade cairia na mentira por prescrição
Por ausência de tempo
E como a vida dos corpos é móvel sempre em permanente trânsito
E o dito que talvez pretendesse retratar a verdade
Já então seria passado enquanto tudo já seria novo
E a verdade que se buscava
Cai novamente no vão da mentira
O certo é que a verdade é filha da mentira
A mentira nasce sempre primeiro
Ela é escorregadia e fugaz
Ao pensar que a peguei pelo rabo
Ela já foi escapuliu-me ensaboada
O máximo que consigo fazer é travestir uma na outra
Para alcançar a verdade absoluta
Eu teria que parar o tempo
O tempo do relógio
O tempo da mente
O tempo do corpo
Pois em tudo e por tudo que sou
Quando penso que ali está
Tudo passou girou mudou
E ali nada daquilo mais está
Ontem ainda a vi e hoje já não a vejo mais
Ora vejo tudo e num lapso estou cego
Ora tudo vejo e o que havia já não há
A vida é inusitada e fugidia
E nada nem mesmo a verdade apreendida será
A verdade é uma mentira envergonhada…
luizbucalon
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