Filosofia de Amar, de Luiz Bucalon
Prosa reflexiva – Prosa ficção – Escrita realista – Pensamento
De modo que a esperança é só uma idéia daquilo que não encontra lugar na realidade.
Te amo muito mas é agora, senão pode ser agora então não há, pois só existe o agora.
Mas e o amanhã? Se porventura existirmos ainda no amanhã, então ali também será o nosso agora. Ninguém fala, pensa ou ama ontem ou amanhã, quando o fazemos é sempre no momento presente.
Portanto te amo sem esperança, pois só espero aquilo que não tenho agora e só o agora é real, é o espaço onde tudo acontece de fato.
De modo que a esperança é só uma idéia daquilo que não encontra lugar na realidade. Em outras palavras, é apenas idealismo, delírio intelectivo, e eu sou materialista, não creio em invenções e devaneios mentais, vivo o que sinto e o que faço agora, o que não me cabe agora, é porque não existe de fato.
A esperança é a crença naquilo que não existe. Se esperamos por um relacionamento conjugal é porque ainda não o temos, e se não o temos então ele não existe para nós.
O desejo nasce da falta, você só deseja o que não tem, porque se o tivesse não o desejaria.
Eu desejo ver você, mas não a vejo e por não vê-la, você não toma parte do meu mundo de realidade, não é real para mim, é só elocubração mental, é só imaginação da minha cabeça que deseja o que não tenho e por isso mesmo desejo ter.
Ora e o que é isso senão um idealismo delirante? Uma cenoura que segue sempre adiante do cavalo pra que ele corra numa busca inalcançável?
Então essa busca inglória se faz sofrimento, onde só esse sofrimento é real pois o sinto agora, neste exato instante. Destarte padeço de um sofrimento real por uma coisa, um acontecimento irreal, já que você e sequer sua imagem existem de fato no meu campo de realidade.
Você existe aí para quem quer que seja, mas eu não vivo aí nesse quem quer que seja, logo o que importa pra mim é a realidade que me envolve e me permeia, e você
é só uma imagem criada por mim e a imagem não é o objeto, a pessoa, é ilusão e quando muito o reflexo distante daquilo que é.
E no nosso caso em particular até este efêmero e insubstancial reflexo é irreal pois advém do meu poder imaginativo, ou seja idealismo.
Então senão a toco e sequer a vejo, eu só a imagino, e desta mera imaginação ideal surge meu sofrimento real.
Toda esperança é uma forma de ilusão, é apenas algo idealizado enquanto não realizado. E o que é idealizado e desejado mas nunca realizado e satisfeito redunda sempre em dor, onde esta dor é a única coisa real de fato.
luizbucalon