Minha Poética

Essa Vizinhança, de Luiz Bucalon

O humor como arma contra a hipocrisia

A lucidez mora logo ali
Mas dou a volta por longe
A senhora sobriedade
Dama soturna e amarrada
Olha-me com desdém

A sensatez ah a sensatez
Esta sim esta sim
Não pode nem ver-me
Já a vizinha coerência
Mal nos cumprimentamos

Mas a dona opinião
Esta velha enche-me o saco
Ela não desgruda e se mete em tudo
É tão metida e enfadonha
Falando sempre antes de mim.

Análise do Poema “Essa Vizinhança” de Luiz Bucalon

Um retrato irônico da sociedade e das relações interpessoais

O poema “Essa Vizinhança” de Luiz Bucalon nos apresenta uma crítica irônica e bem-humorada à sociedade e às relações interpessoais. Através de uma linguagem simples e direta, o poeta personifica qualidades e vícios humanos, transformando-os em personagens de uma vizinhança peculiar.

Elementos-chave:

Personificação de qualidades:

O poeta atribui características humanas a qualidades como lucidez, sobriedade, sensatez e opinião, criando uma vizinhança peculiar. “Esta velha enche-me o saco”.

Crítica social:

O poema satiriza a hipocrisia, a intromissão e o julgamento presentes nas relações sociais. “Ela não desgruda e se mete em tudo”.

Humor e ironia:

A linguagem irônica e os exageros criam um efeito cômico, tornando a crítica mais leve e eficaz. “A sensatez ah a sensatez”.

Isolamento:

O eu lírico sente-se isolado e julgado pela vizinhança, que representa a sociedade em geral. “Dou a volta por longe”.

Interpretação:

O poema reflete a sensação de muitos indivíduos de se sentirem observados e julgados pela sociedade. A “lucidez”, a “sobriedade” e a “sensatez” representam as expectativas sociais que muitas vezes podem ser opressivas. A “dona opinião”, por sua vez, simboliza a intromissão e a fofoca, tão presentes nas relações interpessoais. O eu lírico busca escapar desse julgamento, mas encontra dificuldades em encontrar um espaço próprio.

Perguntas para o Leitor:

— Qual a sensação que o poema te provoca? Divertimento, irritação, identificação?
— Como você interpreta a figura da “dona opinião”?
— Qual a crítica social que o poeta está fazendo através desse poema?
— Você se identifica com a sensação de ser julgado pela sociedade?
— Qual a importância do humor e da ironia nesse tipo de crítica social?

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luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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