Minha Poética

É o Sol sempre Sol, de Luiz Bucalon

Sol chave espada rasga abrindo o céu em nuvens de olhar por baixo feito saias ao vento que se erguem da donzela amada.

O sol espelhado na transparência aberta das janelas, invadindo de fora pra dentro abrindo expandindo a sala, o quarto de dormir de olhares feridos de luz.

Nas cozinhas germinam pães sobre a mesa e o café ao olhar de solarento é ralo.
O fogão aquece de fogo cego ardendo sem se ver da onde.
A cristsleira translúcida empoçada de raios aquecidos de brilho.

O olhar da anciã encimado por mão trêmula de sombra na testa sobre os olhos.
No quintal limpo ensolarado o chão é branco de cachorro dormente na preguiça das horas.

E é dia, dia de sol, zum de abelha invisível no ar. E é dia, dia de sol perfume de aurora nos abacateiros e das uvas os parreirais.

As plumas aventuram-se nas bolhas de ar feito átomos de eternidade.
O menino suado corre de encontro ao homem que mora no peito vizinho de lado.

As ruas tomadas de sol alargam-se aos viandantes que mudam de lado às beiras das casas sem eiras, enquanto nos automóveis dilatam os metais e o couro dos assentos.

A cúpula da Igreja se afina se alonga rumo aos sete céus rasgados de sol tão perto do hélio mistério.

As borboletas se assanham em danças de silêncio onde o som são as cores conversando primaveras e dolorosas lembranças de casulo em dilações de tempo e corpo.

As escolas e os supermercados ficam maiores e sorridentes entre lousas e gôndolas.

É o Sol deus, o deus Sol numa incessante mutação de ir e vir desconstruindo e construindo novos elementos, nascendo e morrendo realidades em seu imenso caldeirão de poções e milagres.

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *