É o Sol sempre Sol, de Luiz Bucalon
Sol chave espada rasga abrindo o céu em nuvens de olhar por baixo feito saias ao vento que se erguem da donzela amada.
O sol espelhado na transparência aberta das janelas, invadindo de fora pra dentro abrindo expandindo a sala, o quarto de dormir de olhares feridos de luz.
Nas cozinhas germinam pães sobre a mesa e o café ao olhar de solarento é ralo.
O fogão aquece de fogo cego ardendo sem se ver da onde.
A cristsleira translúcida empoçada de raios aquecidos de brilho.
O olhar da anciã encimado por mão trêmula de sombra na testa sobre os olhos.
No quintal limpo ensolarado o chão é branco de cachorro dormente na preguiça das horas.
E é dia, dia de sol, zum de abelha invisível no ar. E é dia, dia de sol perfume de aurora nos abacateiros e das uvas os parreirais.
As plumas aventuram-se nas bolhas de ar feito átomos de eternidade.
O menino suado corre de encontro ao homem que mora no peito vizinho de lado.
As ruas tomadas de sol alargam-se aos viandantes que mudam de lado às beiras das casas sem eiras, enquanto nos automóveis dilatam os metais e o couro dos assentos.
A cúpula da Igreja se afina se alonga rumo aos sete céus rasgados de sol tão perto do hélio mistério.
As borboletas se assanham em danças de silêncio onde o som são as cores conversando primaveras e dolorosas lembranças de casulo em dilações de tempo e corpo.
As escolas e os supermercados ficam maiores e sorridentes entre lousas e gôndolas.
É o Sol deus, o deus Sol numa incessante mutação de ir e vir desconstruindo e construindo novos elementos, nascendo e morrendo realidades em seu imenso caldeirão de poções e milagres.
luizbucalon