Há uma beleza que todo mundo vê
a beleza salta aos olhos
um iceberg uma rocha mostrando a
face
a epiderme da natureza
Há ainda uma beleza sob a outra
uma beleza além dos olhos
sob a epiderme da epiderme a
epiderme
cega feito luz e surda feito som
sem olhos nem ouvidos nem dedos
uma beleza que não se toca que não se vê que não se escuta
Uma dançarina diáfana
uma musa louca em concerto
uma deusa que se dá e se recolhe
um corpo que se mostra e se esconde
Uma beleza comum a todos e a toda a vida
por debaixo bem debaixo
das ilusões impurezas e imperfeições
Talvez a beleza dos feios aos olhos
também a beleza dos belos à cara
uma beleza natural além do pó e da pintura
uma beleza sem morte nem conserto
que vem antes da palavra e do conceito
Captura de outro sentido
a beleza que se sabe
a beleza que se sente
a beleza cega e inaudita
a beleza da beleza sem oriente.
luizbucalon
Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e
editor, foi também declamador, palestrante e
divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.