Minha Poética

A Terapia da Verdade, de Luiz Bucalon

Nem todos os males são curados
Alguns são apenas suportados
Numa espécie de convivência respeitosa
O que não significa ser pacífica

O certo é que para se tratar um mal
Preciso antes saber a que mal estou referindo-me
Não posso simplesmente negar o sofrimento
Negar o sofrimento não o fará desaparecer

A verdade é que sofro de quase todos
Senão todos os males naturais ao homem
Eu sinto tanto e a tantas coisas

Ódio raiva ciúme inveja são alguns
Posso ser neurótico esquizofrênico
Sou rancoroso amargo e ressentido
Uso da mentira e da dissimulação
Sou medroso covarde inseguro

Enfim sou o avesso do avesso
De tudo o que a civilização espera
Hó pobre de mim! Sou um pária!
Um traidor do modo ideal de existência

Eu vejo enxergo ausculto a todos
Os meus mais arraigados males
De tão profundos misturam-se ao meu cerne
E muito muito muito mais do que isso
Eles fazem parte da minha gênese
Estes constituem o meu próprio eu

Bem já os conheço a todos ou a quase todos
Pelo sim pelo não os mantenho em estreita observação

Curar-me ou curá-los jamais
Mas tentarei na medida do impossível
Conviver com eles sob liberdade vigiada
Vivendo uma vida de riscos calculados
Isto no melhor das hipóteses…

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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