Duvido Logo Existo, de Luiz Bucalon
Bem, a verdade é que não sou nenhum gurú, Não trago nenhuma fórmula mágica e não apresento qualquer solução…
O certo é que sou um velho poeta de barbas brancas, com uma alma calejada de felicidades e alguns infortúnios próprios…
E dou-me ao benefício da dúvida quanto a pessoas muito certinhas e corretas, acho isso tudo uma grande e portentosa vaidade…
Mas o que meus olhos planam é sobretudo numa grande e perfeita sociedade distorcida onde a humildade é falsa e a vaidade alta…
Um mundo de homens e mulheres perfeitos, sem máculas ou desenganos, onde não se pode nem cogitar as necessidades fisiológicas de evacuação ou defecção, já que isto depõe contra a estética do sano e do perfeito…
Ninguém erra ou pelo menos não se admite, certas palavras são abominadas, banidas dum conveniente vocabulário onde só os mais belos e mascarados sígnos formam pronunciamentos politicamente corretos…
Assisto a tudo como a um infindo desfile de obituários, mortalhas e mortos vivos; num cemitério pontuado por sepulcros caiados, pintados por fora e podres por dentro…
Daqui do mundo da lua observo o cortejo…
luizbucalon