Minha Poética

Não há verdade absoluta, de Luiz Bucalon

A verdade não existe
Ela é apenas um conceito
E como todo conceito
Depende da palavra
Mas a palavra é fixa
E a vida é móvel

Mas a palavra não explica tudo
Porque se explicasse não se daria a comunicação em tempo real
Então apenas não há verdade

A palavra simboliza objetos e fatos
Mas nunca a qualidade particular e intrínseca destes
Pois se existem trilhões de objetos e fatos
E cada um com trilhões de particularidades
Então disso a palavra não dá conta

Ainda que houvesse um esforço para que tudo coubesse na palavra
Ainda assim a aparente verdade cairia na mentira por prescrição
Por ausência de tempo

E como a vida dos corpos é móvel sempre em permanente trânsito
E o dito que talvez pretendesse retratar a verdade
Já então seria passado enquanto tudo já seria novo
E a verdade que se buscava
Cai novamente no vão da mentira

O certo é que a verdade é filha da mentira
A mentira nasce sempre primeiro
Ela é escorregadia e fugaz
Ao pensar que a peguei pelo rabo
Ela já foi escapuliu-me ensaboada
O máximo que consigo fazer é travestir uma na outra

Para alcançar a verdade absoluta
Eu teria que parar o tempo
O tempo do relógio
O tempo da mente
O tempo do corpo
Pois em tudo e por tudo que sou
Quando penso que ali está
Tudo passou girou mudou
E ali nada daquilo mais está

Ontem ainda a vi e hoje já não a vejo mais
Ora vejo tudo e num lapso estou cego
Ora tudo vejo e o que havia já não há
A vida é inusitada e fugidia
E nada nem mesmo a verdade apreendida será

A verdade é uma mentira envergonhada…

luizbucalon

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Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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