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    MEU HERÓI

    Homem que já foste vida.
    E hoje é apenas um vulto.
    Homem que me deixas sentida.
    Chorosa, mas que te presto culto.

    Vejo-te, sem pressa, caminhar.
    Pela velhice já curvada.
    Mão estendida para afagar.
    Esquecendo um desgosto ou pecado.

    Lembro teu brincar gaiato.
    Aos netos amor, dedicação, devoção.
    Oh! Como guardo tal retrato.
    Até meu fim, no coração.

    Vejo-te ao portão, sentado,
    Bem para frente olhando.
    De tanto esforço, cansado,
    Mas, tantas lutas recordando.

    Ali sob o céu azul, estrelado.
    Até do mundo esquecido.
    Sentia-te, às vezes, amargurado.
    Mas, por orgulho, não vencido.

    As quantas rosas, planta vida deste.
    Do nada algo tornou beleza.
    De materialismo tudo deixas te.
    E na morte um sorriso: pureza.

    A vida te deu tanto saber.
    Que tudo tentas-te ensinar.
    Alguns fizeram por esquecer.
    Outros quiseram aproveitar.

    Vejo em ti a vida se apagar.
    Do viver duro, mãos calejadas,
    As forças pouco e pouco negar.
    Rendidas por tantas jornadas.

    Muito te amei em minha vida.
    Pois teu vulto de mim não sai.
    Tua recordação é tão sentida
    Que de vez em quando me sinto dize:
    PAI!

    Autora:Francis. Felix Rod. ✍️

    A BRISA DA MADRUGADA

    A suntuosidade,
    Voadora de meus pensamentos impressiona-me. 
    Ao vagarem pelas lembranças de momentos passados.
    Na busca de afetos já remotos da minha mocidade.
    Agora, sem existência palpável a dor cresce.
    
    O silêncio,
    Da madrugada me envolve e sinto que vivo.  
    Pelo contato das carícias estimulantes da brisa suave.
    Pois cada pedaço do meu corpo ao toque se estremece.
    Num relaxamento reconfortante, na abstenção total do presente. 
    
    Pedaços de mim
    Já ficaram pelo caminho da vida, mas afloram à minha mente.
    Machucando o meu ser e umedecendo meus olhos.
    Tantas perdas no correr dos anos aflorando ao coração.
    Infinitas saudades em épocas felizes de outros tempos.
    
    Diante de sentidas,
    Lágrimas cenas desfilam em momentos memoráveis. 
    Vultos de outrora que me fazem sentir sensações variadas.
    Tudo reativando, ao presente, minha alma adormecida.
    Doces lembranças vividas em plena felicidade familiar.
    
    Alma saudosa,
    Que perante a ausência de faces distantes chora as dores.
    No livro do passado, desfiladas diante de meus sonolentos olhos.
    Histórias parecem lapidadas pelas recordações de rostos tão queridos.
    Faces suaves, protetoras amorosas que nos sonhos me renovam as energias.
    
    Senti o estender-se,
    Do relaxamento como se afrouxasse os braços do sono.
    Sossegado no silêncio da solidão o corpo esmoreceu.
    Os embalos carinhos da brisa que rondava sorrateiramente.
    Me fez cerrar os olhos num sono profundo de alma adormecida.
    
                               Autora:Francis. Felix Rod. ✍️