Minha Poética

Putaria Capitalizada, de Luiz Bucalon

Acho tudo isso uma enorme putaria
Uma putaria franciscana sabe como?
Depois eu é que sou o escroto veja só
Mas o que fazer se é o que vejo oras

Nosso mundo todo é um grande bordel
Alguns vão pro inferno outros pro céu
Vivemos num bordel mascarado
Onde tudo o que se quiser é encontrado

Tudo funciona a partir do sexual tesão
Se vende motel flores calcinhas e sutiã
Se vende trepada em quaisquer horas vão
Um bichinho de pelúcia pela manhã

A publicidade é pura lubricidade
Use tal perfume que as muié cai matando
Use cueca pro lado de fora excita mais
Menina passe creme tal desliza melhor

Camisinha contagiro rotações por minuto
Um carro esporte vermelho chama gata
Olhe o gel que deixa o xibiú apertadinho
Roupas rasgadas pra aparecer as partes

Comprimidos azuis turbinam perfomance
Mulher que não fazia anal agora recicla
Tudo é uma putaria escancarada
Homem mulher se encaram se desejam

Pena que os motéis são tão afastados
É lá na igreja que o fiel marca as fiéis
Nas quais investirá na semana logo mais
Escolas e universidades são plataformas
Para a carreira sexual profissionalizada

Virtualmente pelas santas redes sociais
Já não tem problema se não há corpo
Assim diminui a culpa e já não há pecado
Isso tudo é um grande bordel disfarçado

As crianças ouvem músicas sentasenta
E os bares noturnos a que se prestam
A não ser para a trepada o esquenta?
E os bailões os sertanejos universitários?

Tudo em prol das melhores orgias
Tudo está no mínimo indiretamente
Ligado à pornografia ao tesão à putaria
E vai botox sessões silicone e tetaria

O homem quer ficar rico será por que
É pra comer mais e melhor as novinhas
E elas também querem um belo presente
Toma lá dá cá e a gente finge que sente

Eu que não sou pudico e moralista
Que não sou broxa nem tonto nem nada
Adoro isso tudo e faço minha lista
Não sou hipócrita e o outro não é escada

Sei sou escroto boa gente não posso ser
Gosto do que é mal proibido e ilegal
Assumo minha natureza sem esconder
Não sigo andrajoso travestido de moral.

luizbucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *