Amigos Escritores

Diálogos Íntimos, de Gediel Pinheiro de Sousa

por Luiz Bucalon

Quiçá o douto sane a dor vincenda
Quem sabe o rosto finja docemente
Talvez certezas sejam mitos, lendas
Será a cruz, a cura dos dormentes?

Quiçá o vento force a estreita fenda
Quem sabe a noite esteja iluminada
Talvez a lua traga a bela amada
Será aquela flor, a desejada?

Quiçá o sopro espraie em filamentos
Quem sabe o bem supere o mal premente
Talvez o sol se oponha a pôr-se quente
Será poesia, o quinto elemento?

Quiçá eterno seja o corpo findo
Quem sabe a morte reverbera a vida
Talvez seja embuste a face desnuda
Será o deserto, o campo florido?

Quiçá o sal tempere insosso ardente
Quem sabe lhe consuma a dor pungente
Talvez lhe acorram abutres sedentos
Será a hóstia, bálsamo virtuoso?

Quiçá cães ladram sons suave flauta
Quem sabe seja cego o sabre faca
Talvez o desejo vislumbre a escápula
Será feiume, o complexo vira-lata?

Quiçá meu Deus eu tenha dez talentos
Quem sabe monstros fujam d’outro ventre
Talvez o cetro seja luz furente
Será fóton, luzidia aparente?

Quiçá silêncio acorde a vil serpente
Quem sabe o mar beije os verdes à margem
Talvez sonde a Terra o orvalho selvagem
Será loucura, o gim que te alimentas?

Gediel Pinheiro de Sousa
@gediel.poetaoficial

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

11 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *