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Meu Sapato Velho, de Tânia de Castro Moura

Te vi pela primeira vez
olhei, admirei
Me apertei para tê-lo,
adquiri.
Calcei-o e apertasse meus pés.
Tranquila, insisti em usá-lo
pois precisava de ti,
foi paixão à primeira vista.
A vontade de te levar comigo
por onde eu fosse, era tanta que
perdoei teu ajuste dolorosos que
tão logo não perdurou e
me dava prazer andar contigo.
Passaste a ser meu constante companheiro,
recordações das meias,
dos passeios na chuva e da
higiene que te encontrava sempre,
antes da caixa te guardar no calabouço.
Te encerrava, por ser belo e queria te preservar.
Só tu me levava e trazia ao longo do
caminho e me seguia por todo o lugar.
Cansei de te mandar consertar, solinha,
salto novo, meia sola…
agora chega!
Com o peito doído, me desfaço do
meu sapato velho.
Um dia, alguém disse:
— “Poesia não compra sapatos”
Eu sabia disso, porém um só sapato,
poesia, ternura, bem-querer, até me
inspirou a escrever…
meu sapato velho, com ele quanta poesia
me despertou, e quanta saudade deixará,
mas todos teremos semelhante destino.

Tânia de Castro Moura
Tânia Tâny’s
Os Poetas Do Tempo.
Poetas Livres de Bagé
Direitos autorais protegidos
Lei n. 9.610/98.

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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