Minha Poética

Humano, Demasiado Humano, de Luiz Bucalon

Um Grito de Liberdade e Autenticidade

Eu nu e descarnado à luz desprego-me então da cruz.

Poema sobre a vida (comentado)

A minha verdade vem à lume
Mediante o conflito
Diante de um turbilhão de vivências
Tensões escatológicas
Discussões políticas e sociais

Viver é um processo febril
Uma catarse abrasadora
Um suadouro imposto pelo fogo

E já desvencilho-me das convenções
Então deponho minhas máscaras
Rasgo mantos fardas coroas e véus

Lá no fundo no âmago
Onde nada mais existe
Sem lei ética nem moral
Uma ínfima chama persiste
Eu nu e descarnado à luz
Num atmo volátil de vida
Desprego-me então da cruz.

Nota do autor:
Alguma verdade a meu respeito vem à luz ao confrontar-me comigo mesmo. Quando estão em xeque meus conceitos mais arraigadamente profundos. Quando a vida em seus mais inesperados episódios me desafia naquilo de mais sagrado em minhas crenças, então diante do espelho me desfaço e outras verdades se levantam. O despregar-se da cruz é despir-se e deixar pra trás a velha mortalha e seguir livre e leve.

luizbucalon

Reflexões:

Este poema é um grito de liberdade e autenticidade, onde o autor busca revelar sua verdadeira essência, livrando-se das convenções e máscaras sociais.

Perguntas ao Leitor:

— O que significa ser “humano, demasiado humano”?
— Como o conflito e a tensão podem levar à autenticidade?
— Qual é o papel da liberdade individual em uma sociedade conformista?

Análise:

O poema explora a ideia de que a verdadeira liberdade vem da aceitação de nossa vulnerabilidade e imperfeição. A “ínfima chama” que persiste é a essência da humanidade.

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Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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