O Marinheiro na Terra: O Eco de Marcílio Dias nas Calçadas de Bagé
Aos Confrades
Caros confrades e confreiras, ao caminharmos pelas ruas de Bagé, muitas vezes esquecemos que o nome gravado nas placas de metal carrega o peso de
trajetórias que cruzaram oceanos e campos de batalha. Hoje, quero homenagear uma de nossas artérias urbanas: a Rua Marcílio Dias.Não falo apenas da via que atravessa nossa cidade, mas do homem por trás do nome: o grumete de Rio Grande, o artilheiro que desafiou o cerco de Paysandú e que, na sua bravura, eternizou um grito de vitória que ainda ressoa na memória de quem conhece a força do povo brasileiro. Este poema é um convite para que, ao passarmos por essa rua, possamos enxergar, além do asfalto, o horizonte do mar e o legado de coragem que agora pertence à nossa história bageense.
O Marinheiro na Terra: O Eco de Marcílio Dias nas Calçadas de Bagé
Nas águas revoltas da história, o nome se eterniza,
Não em pedra fria, mas no aço que a pátria idealiza.
De Rio Grande ao convés, o jovem grumete subiu,
Marcílio Dias, em pele negra, o destino da Armada sentiu.
Dos documentos raros, o vulto se faz presente,
De cabelos encarapinhados, olhar firme, combatente.
Na corveta Constituição, o aprendizado foi o mar,
Entre pólvora e bruma, aprendeu a se superar.
Veio a Guerra, o estampido, o cerco em Paysandú,
Onde o bravo marinheiro não conheceu o recuo.
No fragor da batalha, sob o comando e o dever,
Marcílio mostrou aos homens como se deve vencer.
Subiu à torre, ergueu o brado, o pavilhão ao vento,
Um grito de glória que rasgou o firmamento.
Hoje, a rua que leva seu nome em Bagé, silenciosa,
Guarda o eco daquele herói, numa memória grandiosa.
O marinheiro que foi de 3ª classe ao posto de honra,
Vive em cada esquina, onde a história não se esconde.
Marcílio Dias, nome talhado no tempo e no chão,
Um pedaço do mar, ancorado no coração da nação.
Luiz Carlos Bucalon