Minha Poética

O Marinheiro na Terra: O Eco de Marcílio Dias nas Calçadas de Bagé

Aos Confrades

Caros confrades e confreiras,​ ao caminharmos pelas ruas de Bagé, muitas vezes esquecemos que o nome gravado nas placas de metal carrega o peso de

trajetórias que cruzaram oceanos e campos de batalha. Hoje, quero homenagear uma de nossas artérias urbanas: a Rua Marcílio Dias.​Não falo apenas da via que atravessa nossa cidade, mas do homem por trás do nome: o grumete de Rio Grande, o artilheiro que desafiou o cerco de Paysandú e que, na sua bravura, eternizou um grito de vitória que ainda ressoa na memória de quem conhece a força do povo brasileiro. Este poema é um convite para que, ao passarmos por essa rua, possamos enxergar, além do asfalto, o horizonte do mar e o legado de coragem que agora pertence à nossa história bageense.

O Marinheiro na Terra: O Eco de Marcílio Dias nas Calçadas de Bagé

Nas águas revoltas da história, o nome se eterniza,
Não em pedra fria, mas no aço que a pátria idealiza.
De Rio Grande ao convés, o jovem grumete subiu,
Marcílio Dias, em pele negra, o destino da Armada sentiu.

​Dos documentos raros, o vulto se faz presente,
De cabelos encarapinhados, olhar firme, combatente.
Na corveta Constituição, o aprendizado foi o mar,
Entre pólvora e bruma, aprendeu a se superar.

​Veio a Guerra, o estampido, o cerco em Paysandú,
Onde o bravo marinheiro não conheceu o recuo.
No fragor da batalha, sob o comando e o dever,
Marcílio mostrou aos homens como se deve vencer.

​Subiu à torre, ergueu o brado, o pavilhão ao vento,
Um grito de glória que rasgou o firmamento.
Hoje, a rua que leva seu nome em Bagé, silenciosa,
Guarda o eco daquele herói, numa memória grandiosa.

​O marinheiro que foi de 3ª classe ao posto de honra,
Vive em cada esquina, onde a história não se esconde.
Marcílio Dias, nome talhado no tempo e no chão,
Um pedaço do mar, ancorado no coração da nação.

Luiz Carlos Bucalon

Luiz Carlos Bucalon, nasceu em 12 de março de 1964, na cidade de Maringá-Pr. Em 1980, lançou, em edição independente, o seu primeiro livro de poemas, "Câncer Amigo". Seguiu escrevendo poemas, crônicas, contos, ensaios, teatro, humor, biobibliografias e romance. Foram trinta e quatro títulos publicados, pelo então poeta marginal -- contemporâneo a Paulo Leminnski e outros expoentes. Bucalon, além de escritor e editor, foi também declamador, palestrante e divulgador de sua própria obra, de cidade em cidade, no Brasil e na Argentina. Seu mais recente livro, "Só Dói Quando Respiro", de poemas, é de 2021, publicado digitalmente em formato e-book. Obras (muitas também em espanhol) - Poemas: Câncer Amigo, A Palavra é um Ser Vivo, A Corsária e o Vento Santo, Roda Viva, Madá Madalena, Novas Asas, Um Lapso no Tempo, Uma que não vejo, Outra que não toco, Poema a Quatro Mãos (com Nice Vasconcelos), Escrever é coisa de louco, Bailarina Madrugada, Poeta de Ruas e Bares, Poemarte, Na Barra de Santos, Era eu naquele quadro, A Rosa e o Espinho, Dia Noite e Chuva Por onde Andaluzia, Poeta Cigano, Rodoviárias São Corredores, A poesia diz rimada, Poesia Presa no Espelho, Poema se faz ao poemar Poesia líquida é música. - Romance, conto, teatro, ensaio, crônica: Em Busca do Amor, Lânguida e Felina, O Globalicídio Brasileiro, A Semente do Milagre, Mártires da Imortalidade, A vida entre outras coisas, A Praça da República, O Banco da Praça, Ali Naquele Bar. Saiba na página Home.

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