Quem sou, de Rosa Pereira
Quem Sou
Em palavras te digo
Sou condenada
Talvez por ser mulher
Por ter segredos nas palavras
Ainda não sabes
Tenho um coração que bate em mim
Tenho uma linda alma
Por vezes pergunto-me
O
Que faço aqui
Olho longe e vejo o horizonte
Aquela luz que se ilumina em mim
São as estrelas do céu
Para que eu não seja assombrada
Condenada por ter nascido mulher
Por vezes olho-me no espelho
Em lágrimas vejo
A mulher que tem de continuar o seu caminho
No veneno das línguas malditas
Línguas que condenam os outros
Com maldade
Fico calada em palavras
Por ser mulher
Mas por aqui ainda estou
E agora que me conheces
Conheces meus sonhos
Ficarão em beijos selados no amor
Quando a minha alma me chama
O vento livra-me do veneno
Das malditas línguas do ódio
Que me condenam o sorriso
E sentem felicidade pela minha dor
Cego é aquele que tem vista e que não quer ver
Há vezes que parece que renasci
E desperta em mim uma nova batalha
Não me deixar cair na tristeza
E nem no silêncio
Só por ter beleza
Não deixo que o veneno
De ninguém me faça cair por terra
Porque doce é o meu olhar
Sei amar
Vou esquecendo o veneno
Com o qual me querem envenenar
Lembro-me em horas de desespero
Rodeada por um jardim
Onde o veneno nunca entrará
Porque o amor existe em mim
Tudo o que li um dia será destruído
Testemunho na escuridão
Por ser mulher
E tenho uma maneira de amar divina
Espalhada em mim
E lutarei por ser mulher
Rosa Pereira
Portugal