Espantamento, de Luiz Bucalon
Análise: Uma ode à maravilha e à vida
Ainda estou vivo vivo estou
Se o vendaval me espantou
Ainda estou vivo vivo estou
Se uma só flor me maravilhou
Oh Deus dê-me do teu espantamento
Faz-me vivo carne viva sonho vivo
Que morto eu caia sem maravilhamento
A maravilha é a doçura na boca e o bálsamo nos pés
Marca-passo meu coração de espanto
É choque de vida ardendo as têmporas
Os olhos dilatados a boca aberta e queixo caído
Dá-me oh menino do teu mavilhamento de olhos pregados na pipa em voluteios no céu
Maravilhar-se é preciso, viver não é preciso
A maravilha causa espanto do espanto maravilhado
Menina dá-me da tua inocência a condição do espanto solo de maravilhas e corações desalentados
Firam a estrutura quebrem-se as vigas, de hoje em diante nada será normal, tudo estará de pernas pro ar, é necessário a estranheza onde o normal é letal.
Sacudam-me os ossos de dor, arranquem-me os olhos de olhar, ponham-me no sobressalto no susto no inesperado no incomum e na surpresa
E que depois de tudo eu ainda possa ouvir por dentro o estampido da vida implosiva no pulsar das minhas veias e artérias de maravilhamento e espanto.
Análise Literária: Espantamento: Uma ode à maravilha e à vida
Análise do poema de Luiz Bucalon, explorando temas de maravilha, espantamento, vida e renovação.
Tema Central e Contexto:
O poema “Espantamento” de Luiz Bucalon celebra a vida em sua plenitude, exaltando a capacidade de se maravilhar com as pequenas e grandes coisas. O poeta convida o leitor a abandonar a rotina e a se abrir para a experiência do espanto, como uma forma de resistir à letargia e à alienação.
Elementos Literários:
Linguagem:
A linguagem é simples e direta, mas repleta de imagens vívidas e metáforas que evocam sensações e emoções intensas. A repetição de palavras e construções sintáticas cria um ritmo hipnótico, que reforça a ideia de um estado de êxtase.
Estrutura:
O poema é composto por versos livres, o que confere uma maior liberdade ao poeta para expressar suas ideias. A ausência de uma estrutura formal rígida contribui para a sensação de espontaneidade e vitalidade.
Temas:
A vida, a morte, a maravilha, o espanto, a rotina, a alienação e a busca pela autenticidade são os principais temas explorados pelo poeta.
Figuras de Linguagem:
O poema faz uso de diversas figuras de linguagem, como metáforas “A maravilha é a doçura na boca e o bálsamo nos pés“, personificações “Maravilhar-se é preciso, viver não é preciso” e repetições “Ainda estou vivo vivo estou”.
Interpretações e Possibilidades de Discussão:
A importância do espanto:
O poema defende a ideia de que a capacidade de se maravilhar é essencial para uma vida plena e significativa. “Espantamento é choque de vida ardendo as têmporas“
A resistência à rotina:
O poeta convida o leitor a romper com a rotina e a buscar novas experiências, a fim de evitar a alienação e a letargia. “Firam a estrutura quebrem-se as vigas, de hoje em diante nada será normal”
A busca pela autenticidade:
O espanto é visto como uma forma de se conectar com a própria essência e de experimentar a vida em sua plenitude. “A maravilha é a doçura na boca e o bálsamo nos pés”
A relação entre vida e morte:
A morte é mencionada como um contraponto à vida, mas a ênfase está na celebração da existência e na busca pela experiência intensa. “Faz-me vivo carne viva sonho vivo”
Perguntas para o Leitor:
— Qual a importância do espanto em sua vida? Você se considera uma pessoa curiosa e aberta a novas experiências?
— Você concorda com a afirmação de que “maravilhar-se é preciso, viver não é preciso”? Explique sua resposta.
— Quais são as coisas que mais te causam espanto no dia a dia?
— Como você acha que a sociedade contemporânea influencia a nossa capacidade de se maravilhar?
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luizbucalon
4 Comentários
Marcelo Varella
Um espanto!!!
Myriam Britto dos Santos
“…é necessário a estranheza” Que maravilha !
Luiz Bucalon
Gratidão!
Luiz Bucalon
Gratidão!